No balanço de um ano de governo Dilma, eles atacam a maior taxa de juros do mundo, o risco de calamidade energética e uma política cambial errática; de quem eles estão falando mesmo? Estariam se olhando no espelho?
Não anda fácil a vida do PSDB. O partido termina o ano manchado pela publicação do livro A Privataria Tucana . Para tentar colocar outro partido em pauta, o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, divulgou um documento que faz uma crítica do primeiro ano de governo de Dilma, que surfa em popularidade. Mas, quem lê, enxerga mais os oito anos da era perdida tucana. Exemplo...
Quando falam em juros, tucanos tiveram absurdos 42% ao ano.
Quando falam em crise fiscal, tucanos "esquecem" levaram a dívida de 40% para 65% do PIB.
Quando falam em calamidade energética, tiveram o apagão de 2004 por falta de investimento.
Quando falam em câmbio errático, tiveram o dólar de 1 a 4 reais.
Criticam até o acumulo de reservas externas de 400 Bilhões, que é justamente o que hoje fortalece o Brasil e nos coloca longe de perder novamente a soberania para o FMI.
Os tucanos querem que os desavisados, os desinformados e os de memória curta pensem que o Brasil pode ser melhor com eles quando nunca foi.
FONTE: http://soldadonofront.blogspot.com/2011/12/mestres-da-hipocrisia-tucanos-contam.html
TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER, MAS A MÍDIA TRADICIONAL NUNCA DEIXOU.OU: PORQUE PERDER TEMPO COM A MÍDIA TRADICIONAL SE HÁ TODO UM MUNDO MELHOR PARA SE CONHECER NA BLOGOSFERA.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
"A maior indenização por racismo da história do Brasil"
Organizações de mulheres negras receberão indenização da Sony Music (Portal Geledés).
Foi confirmada em, 14.12.2011, por 5 a 0, a decisão do TJ RJ, com cinco desembargadores, que remete para 1.200 (hum mihao e duzentosmil) a indenização a ser paga por Sony Music à entidades de mulheres negras lideradas por Criola, e outras, por conta da música "Essa negra fede", de autoria do palhaço e deputado federal Tiririca.
A Sony já depositou 600 mil. Faltam os outros 600. Como advogado das entidades de mulheres negras só posso me congratular com o TJ/ RJ por estabelecer "a maior indenização por racismo da história do Brasil, pequena ainda se comparada com outros segmentos de dano moral, por exemplo". Parabenizo o Dr. Fernando Cabral, jovem e brilhante advogado que me representou no julgamento de hoje, vez que impedido por outros compromissos profissionais. Humberto Adami Existem petições/ofício a serem juntados ao processo Data : 07/12/2011
Protocolo : 2011.400349 | Leia o Processo | (Fonte: Blog do Humberto Adami)
VIA; http://www.soscorpo.org.br/home/entry/qa-maior-indenizacao-por-racismo-da-historia-do-brasilq.html
Foi confirmada em, 14.12.2011, por 5 a 0, a decisão do TJ RJ, com cinco desembargadores, que remete para 1.200 (hum mihao e duzentosmil) a indenização a ser paga por Sony Music à entidades de mulheres negras lideradas por Criola, e outras, por conta da música "Essa negra fede", de autoria do palhaço e deputado federal Tiririca.
A Sony já depositou 600 mil. Faltam os outros 600. Como advogado das entidades de mulheres negras só posso me congratular com o TJ/ RJ por estabelecer "a maior indenização por racismo da história do Brasil, pequena ainda se comparada com outros segmentos de dano moral, por exemplo". Parabenizo o Dr. Fernando Cabral, jovem e brilhante advogado que me representou no julgamento de hoje, vez que impedido por outros compromissos profissionais. Humberto Adami Existem petições/ofício a serem juntados ao processo Data : 07/12/2011
Protocolo : 2011.400349 | Leia o Processo | (Fonte: Blog do Humberto Adami)
VIA; http://www.soscorpo.org.br/home/entry/qa-maior-indenizacao-por-racismo-da-historia-do-brasilq.html
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A MADAME NA CALÇADA E OS SEM-TETO NA PAULISTA
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)
Esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Diante do prédio do Banco do Brasil, onde funciona o escritório do governo federal em São Paulo, centenas de trabalhadores sem-teto reúnem-se diante de um carro de som, ocupando uma faixa da avenida. Até ali apenas buzinas sinalizavam desprezo dos paulistas mais apressados às reivindicações dos trabalhadores – por desapropriações na cidade e no campo.
Era meio-dia desta quinta-feira. Uma comissão de 13 representantes dos movimentos acabara de sair de reunião com a chefe de gabinete do escritório, Rosemary Nóvoa de Noronha. Ela telefonou durante o encontro para o ministro Gilberto Carvalho, da Secetaria Geral da Presidência da República, que marcou uma audiência para o dia 19.
Tensão adiada, vitória dos sem-teto. Com o prédio do Banco do Brasil esvaziado (ele fora ocupado até o terceiro andar pelos manifestantes), todos ocupam novamente a faixa no leito da Paulista. Outros aglomeram-se na calçada, espremidos entre a sede do banco e a estação do Metrô Consolação.
Uma senhora passa bufando, abrindo alas. Não foi a única insatisfeita: em outro momento dos protestos um senhor aproximara-se dos policiais para fazer uma recomendação: “Pode bater. Não tem dó”.
Mas a senhora apressada disputa ela mesma o espaço: avoluma-se diante dos trabalhadores, os braços ocupando os centímetros da calçada. Estava com pressa. E desprezava aquela manifestação – ou aquelas pessoas. No carro de som, o porta-voz percebe a tensão e grita: “Está brava, madame?”
Risos. Risos gerais dos sem teto – na faixa ocupada na Paulista, na calçada e no carro de som. Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) é quem comanda o microfone. Momentos antes, no Masp, ele dissera aos manifestantes que aquela avenida – aos 120 anos – costuma ser ocupada por representantes da elite, por banqueiros. E por carrões. E que era o momento de ser ocupada pelos trabalhadores.
A palavra “madame” representava tudo isso naquele momento. “Está brava, madame?”, repete Guilherme Boulos. “Mas nós não vamos sair daqui não, madame. Nós vamos ficar aqui na Paulista!” Ele não perde tempo e puxa um grito dos manifestantes, uma palavra de ordem que clama pelo “poder popular”. A madame some, invisível.
O episódio lembra aquele da manifestação dos estudantes da USP, há duas semanas. A Folha de S. Paulo publicou no dia seguinte uma foto em que duas senhoras aparecem em primeiro plano. Elas estão revoltadas contra os manifestantes. Uma delas, rosto contraído, estende ostensivamente a eles o dedo do meio.
“UM PAÍS SEM POBREZA”
Este blog acompanhou, desde o Masp, a ação dos sem teto. Diante da ocupação dos três andares do prédio do Banco do Brasil (que cede um andar ao governo federal), a notícia tornou-se inevitável nos meios de comunicação. Mas quase ninguém da grande imprensa (eu só vi a CBN) estava no terceiro andar, onde Boulos chegou a bater boca com Rosemary, a representante do governo.
“Se não vão nos receber voltamos à situação anterior (de ocupação massiva do prédio)”, disse ele, diante de um recuo da chefe de gabinete. “Isso é uma ameaça?”, pergunta Rosemary. “Não”, responde Boulos – que apenas cobrava o cumprimento do acordo. Mas a reunião logo aconteceria.
Treze representantes dos movimentos participaram da comissão. A massa desceu para a calçada da Paulista e restaram oito profissionais de imprensa (na maior parte, alternativa) diante da porta de vidro. Naquele andar não há símbolos do Banco do Brasil, mas sim o do governo federal. Nas paredes laterais, fotos de Dilma e de Lula. Na parede ao fundo, sob o logo do governo, a frase: “País rico é um país sem pobreza”.
Antes da reunião, palavras de ordem soavam alto no terceiro andar – com um calor escaldante, quase todos suando muito. “Ô Dilma, eu vim aqui só pra te ver!” “Um dois três, quatro, cinco, mil, ou dá a nossa casa ou paramos o Brasil”.
Os principais grupos presentes eram o MTST, o MST (regional Campinas), o MUST (Movimento Urbano dos Sem Teto) e os representantes da Fábrica Ocupada Flaskô. Todos enfrentam ameaças de desocupações. Essa foi uma das três pautas de reivindicações, a serem discutidas no dia 19 com Gilberto Carvalho e com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes.
Em particular, os sem teto temem a reintegração de posse da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, com 2 mil famílias – que pode acontecer a qualquer momento, pois uma juíza exige o cumprimento de decisão judicial. Este blog publicará na segunda-feira texto específico sobre esse conflito.
Outra pauta na reunião com os ministros será a das desapropriações. Os sem teto querem uma Política Nacional de Desapropriações. Por um lado, a dos terrenos urbanos, diante da especulação imobiliária e da necessidade de moradia. Por outro, das terras rurais – diante dos latifúndios. A desapropriação da Fábrica Ocupada Flaskô, em Sumaré (SP) também é uma reivindicação.
Finalmente, os sem teto querem protestar contra a criminalização dos movimentos populares. Essa criminalização ocorre pelo país por meio de repressões policiais, processos e prisões. O caso dos estudantes da USP foi mencionado como um dos exemplos recentes. Muitas manifestações democráticas acabam em repressão.
Mas ontem os policiais estavam calmos – nitidamente orientados a aceitar o ato e a passeata. Alguns pedestres, eles sim, estavam assanhados – o que mostra a base política e cultural para as ações repressivas.
Ao menos nesta quinta-feira, a truculência resumiu-se ao corpanzil de uma senhora, la madamedisputando espaço na calçada.
VIA: http://www.mtst.org/index.php/noticias/178-a-madame-na-calcada-e-os-sem-teto-na-paulista
Esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Diante do prédio do Banco do Brasil, onde funciona o escritório do governo federal em São Paulo, centenas de trabalhadores sem-teto reúnem-se diante de um carro de som, ocupando uma faixa da avenida. Até ali apenas buzinas sinalizavam desprezo dos paulistas mais apressados às reivindicações dos trabalhadores – por desapropriações na cidade e no campo.
Era meio-dia desta quinta-feira. Uma comissão de 13 representantes dos movimentos acabara de sair de reunião com a chefe de gabinete do escritório, Rosemary Nóvoa de Noronha. Ela telefonou durante o encontro para o ministro Gilberto Carvalho, da Secetaria Geral da Presidência da República, que marcou uma audiência para o dia 19.
Tensão adiada, vitória dos sem-teto. Com o prédio do Banco do Brasil esvaziado (ele fora ocupado até o terceiro andar pelos manifestantes), todos ocupam novamente a faixa no leito da Paulista. Outros aglomeram-se na calçada, espremidos entre a sede do banco e a estação do Metrô Consolação.
Uma senhora passa bufando, abrindo alas. Não foi a única insatisfeita: em outro momento dos protestos um senhor aproximara-se dos policiais para fazer uma recomendação: “Pode bater. Não tem dó”.
Mas a senhora apressada disputa ela mesma o espaço: avoluma-se diante dos trabalhadores, os braços ocupando os centímetros da calçada. Estava com pressa. E desprezava aquela manifestação – ou aquelas pessoas. No carro de som, o porta-voz percebe a tensão e grita: “Está brava, madame?”
Risos. Risos gerais dos sem teto – na faixa ocupada na Paulista, na calçada e no carro de som. Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) é quem comanda o microfone. Momentos antes, no Masp, ele dissera aos manifestantes que aquela avenida – aos 120 anos – costuma ser ocupada por representantes da elite, por banqueiros. E por carrões. E que era o momento de ser ocupada pelos trabalhadores.
A palavra “madame” representava tudo isso naquele momento. “Está brava, madame?”, repete Guilherme Boulos. “Mas nós não vamos sair daqui não, madame. Nós vamos ficar aqui na Paulista!” Ele não perde tempo e puxa um grito dos manifestantes, uma palavra de ordem que clama pelo “poder popular”. A madame some, invisível.
O episódio lembra aquele da manifestação dos estudantes da USP, há duas semanas. A Folha de S. Paulo publicou no dia seguinte uma foto em que duas senhoras aparecem em primeiro plano. Elas estão revoltadas contra os manifestantes. Uma delas, rosto contraído, estende ostensivamente a eles o dedo do meio.
“UM PAÍS SEM POBREZA”
Este blog acompanhou, desde o Masp, a ação dos sem teto. Diante da ocupação dos três andares do prédio do Banco do Brasil (que cede um andar ao governo federal), a notícia tornou-se inevitável nos meios de comunicação. Mas quase ninguém da grande imprensa (eu só vi a CBN) estava no terceiro andar, onde Boulos chegou a bater boca com Rosemary, a representante do governo.
“Se não vão nos receber voltamos à situação anterior (de ocupação massiva do prédio)”, disse ele, diante de um recuo da chefe de gabinete. “Isso é uma ameaça?”, pergunta Rosemary. “Não”, responde Boulos – que apenas cobrava o cumprimento do acordo. Mas a reunião logo aconteceria.
Treze representantes dos movimentos participaram da comissão. A massa desceu para a calçada da Paulista e restaram oito profissionais de imprensa (na maior parte, alternativa) diante da porta de vidro. Naquele andar não há símbolos do Banco do Brasil, mas sim o do governo federal. Nas paredes laterais, fotos de Dilma e de Lula. Na parede ao fundo, sob o logo do governo, a frase: “País rico é um país sem pobreza”.
Antes da reunião, palavras de ordem soavam alto no terceiro andar – com um calor escaldante, quase todos suando muito. “Ô Dilma, eu vim aqui só pra te ver!” “Um dois três, quatro, cinco, mil, ou dá a nossa casa ou paramos o Brasil”.
Os principais grupos presentes eram o MTST, o MST (regional Campinas), o MUST (Movimento Urbano dos Sem Teto) e os representantes da Fábrica Ocupada Flaskô. Todos enfrentam ameaças de desocupações. Essa foi uma das três pautas de reivindicações, a serem discutidas no dia 19 com Gilberto Carvalho e com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes.
Em particular, os sem teto temem a reintegração de posse da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, com 2 mil famílias – que pode acontecer a qualquer momento, pois uma juíza exige o cumprimento de decisão judicial. Este blog publicará na segunda-feira texto específico sobre esse conflito.
Outra pauta na reunião com os ministros será a das desapropriações. Os sem teto querem uma Política Nacional de Desapropriações. Por um lado, a dos terrenos urbanos, diante da especulação imobiliária e da necessidade de moradia. Por outro, das terras rurais – diante dos latifúndios. A desapropriação da Fábrica Ocupada Flaskô, em Sumaré (SP) também é uma reivindicação.
Finalmente, os sem teto querem protestar contra a criminalização dos movimentos populares. Essa criminalização ocorre pelo país por meio de repressões policiais, processos e prisões. O caso dos estudantes da USP foi mencionado como um dos exemplos recentes. Muitas manifestações democráticas acabam em repressão.
Mas ontem os policiais estavam calmos – nitidamente orientados a aceitar o ato e a passeata. Alguns pedestres, eles sim, estavam assanhados – o que mostra a base política e cultural para as ações repressivas.
Ao menos nesta quinta-feira, a truculência resumiu-se ao corpanzil de uma senhora, la madamedisputando espaço na calçada.
VIA: http://www.mtst.org/index.php/noticias/178-a-madame-na-calcada-e-os-sem-teto-na-paulista
2011 - O ANO DA DERROCADA DA "GAFE" (GLOBO -ABRIL - FOLHA - ESTADÃO) PORTA VOZ DO INSTITUTO MILLENIUN
DE: http://007bondeblog.blogspot.com/2011/12/2011-o-ano-da-derrocada-da-gafe-globo.html
O leitor e comentarista assíduo do nosso blog, Vincent Van Blogh, com base na matéria sobre a "briga" entre Aécio e Serra, faz uma excelente análise da atuação da mídia e da oposição. Reproduzimos o seu comentário, agradecendo ao autor, e aos demais comentaristas e visitantes que nos honraram com a presença e opinião no ano que em em breve se encerra. Continuem conosco em 2012.
Caro Bond, o episódio ilustra bem como o demo-tucanato não tem nada para apresentar à população a não ser uma coleção de egos inflados, além de um problema sério de síndrome de abstinência do poder.
Durante os últimos 9 anos não vimos uma única proposta proveniente do demo-tucanato para o futuro da nação.
Na falta de projetos ou propostas, o que vimos foi uma grande dúvida existencial: devemos ou não devemos sustentar o legado FHC?
Fora isso, Bond, o demo-tucanato ficou a reboque da oposição midiática, liderada por D. Judith do Instituto Millenium.
A GAFE - Globo, Abril, Folha, Estadão, tropa de choque desse instituto, entoou o samba-de-uma-nota-só, procurando atribuir ao governo todas as mazelas provenientes da corrupção. Tentaram incutir na população que o grave problema da corrupção surgiu no Brasil a partir da ascenção de Lula em 2003.
Evidentemente, faltou credibilidade para sustentar a tese e a população, muito sabiamente, nela não embarcou.
Como forma disfarçada de atingir o Governo Lula, há um sutil ataque "aos políticos" de forma generalizada. "São todos corruptos e são todos farinha do mesmo saco". Esta é claro a senha golpista. Afinal se os políticos são todos corruptos por que não sermos governados por "não políticos"?
O problema da corrupção no Brasil é muito antigo. E dela se beneficiaram muitos dos não políticos que hoje se apresentam como "indignados".
Parece que, contrariamente à logica, no Brasil não existem os corruptores. Só os corruptos.
Podemos incluir entre os corruptores, não exaustivamente, todas as empreiteiras, todas as concessionárias de rádio e televisão, todos os grandes grupos de mídia impressa, que sempre mantiveram relações carnais com os "políticos corruptos", isso quando não comeram e beberam diretamente dos "favores" do Departamento de Estado norte-americano.
Inclua também o pequeno corruptor, aquele quer paga a cervejinha para o guarda, em troca de "um jeitinho" e que sabe inflar os pulmões para gritar contra a corrupção... alheia.
O livro do Amaury chega em boa hora, pois se a indignação demonstrada contra a corrupção for verdadeira, não podemos ficar apontando apenas para A ou B, esquecendo de C. Teremos que ir muito fundo em busca de todos os atores que sempre souberam se beneficiar do poder e que agora, tantos anos afastados, não conseguem mais esconder sua síndrome de abstinência.
A democracia, caro Bond, implica o revezamento no poder, sim. Mas com esses atores (FHC, Serra, Aécio, Alckmin) a oposição não voltará. Felizmente.
Quem sabe, um dia, com novas ideias a serem apresentadas à população, com novos nomes, e, acima de tudo, com novas práticas que lhes deem a credibilidade, ora ausente, uma nova oposição possa surgir.
Como não nasci casado com o governo, nesse dia até eu poderei, quem sabe, apoiar esta nova oposição. Afinal, como todo governo, este também não é perfeito. Por enquanto, quero que essa gente nefasta, gente hipócrita, se afaste.
E se for para nos manifestarmos contra a corrupção, vamos sim. Há muita coisa extremamente suja que necessita ser investigada e colocada ao sol.
O leitor e comentarista assíduo do nosso blog, Vincent Van Blogh, com base na matéria sobre a "briga" entre Aécio e Serra, faz uma excelente análise da atuação da mídia e da oposição. Reproduzimos o seu comentário, agradecendo ao autor, e aos demais comentaristas e visitantes que nos honraram com a presença e opinião no ano que em em breve se encerra. Continuem conosco em 2012.
Caro Bond, o episódio ilustra bem como o demo-tucanato não tem nada para apresentar à população a não ser uma coleção de egos inflados, além de um problema sério de síndrome de abstinência do poder.
Durante os últimos 9 anos não vimos uma única proposta proveniente do demo-tucanato para o futuro da nação.
Na falta de projetos ou propostas, o que vimos foi uma grande dúvida existencial: devemos ou não devemos sustentar o legado FHC?
Fora isso, Bond, o demo-tucanato ficou a reboque da oposição midiática, liderada por D. Judith do Instituto Millenium.
A GAFE - Globo, Abril, Folha, Estadão, tropa de choque desse instituto, entoou o samba-de-uma-nota-só, procurando atribuir ao governo todas as mazelas provenientes da corrupção. Tentaram incutir na população que o grave problema da corrupção surgiu no Brasil a partir da ascenção de Lula em 2003.
Evidentemente, faltou credibilidade para sustentar a tese e a população, muito sabiamente, nela não embarcou.
Como forma disfarçada de atingir o Governo Lula, há um sutil ataque "aos políticos" de forma generalizada. "São todos corruptos e são todos farinha do mesmo saco". Esta é claro a senha golpista. Afinal se os políticos são todos corruptos por que não sermos governados por "não políticos"?
O problema da corrupção no Brasil é muito antigo. E dela se beneficiaram muitos dos não políticos que hoje se apresentam como "indignados".
Parece que, contrariamente à logica, no Brasil não existem os corruptores. Só os corruptos.
Podemos incluir entre os corruptores, não exaustivamente, todas as empreiteiras, todas as concessionárias de rádio e televisão, todos os grandes grupos de mídia impressa, que sempre mantiveram relações carnais com os "políticos corruptos", isso quando não comeram e beberam diretamente dos "favores" do Departamento de Estado norte-americano.
Inclua também o pequeno corruptor, aquele quer paga a cervejinha para o guarda, em troca de "um jeitinho" e que sabe inflar os pulmões para gritar contra a corrupção... alheia.
O livro do Amaury chega em boa hora, pois se a indignação demonstrada contra a corrupção for verdadeira, não podemos ficar apontando apenas para A ou B, esquecendo de C. Teremos que ir muito fundo em busca de todos os atores que sempre souberam se beneficiar do poder e que agora, tantos anos afastados, não conseguem mais esconder sua síndrome de abstinência.
A democracia, caro Bond, implica o revezamento no poder, sim. Mas com esses atores (FHC, Serra, Aécio, Alckmin) a oposição não voltará. Felizmente.
Quem sabe, um dia, com novas ideias a serem apresentadas à população, com novos nomes, e, acima de tudo, com novas práticas que lhes deem a credibilidade, ora ausente, uma nova oposição possa surgir.
Como não nasci casado com o governo, nesse dia até eu poderei, quem sabe, apoiar esta nova oposição. Afinal, como todo governo, este também não é perfeito. Por enquanto, quero que essa gente nefasta, gente hipócrita, se afaste.
E se for para nos manifestarmos contra a corrupção, vamos sim. Há muita coisa extremamente suja que necessita ser investigada e colocada ao sol.
domingo, 15 de janeiro de 2012
“O Brasil precisa se constranger por aprovar um Código Florestal como esse”
Por Vinicius Mansur
Do Comitê Brasil em Defesa das Florestas
Pedro Gonijo é professor de filosofia da Universidade de Brasília e secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz - CBJP, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (entidades integrantes do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável).
Em 2007, a Campanha da Fraternidade trouxe o tema da Amazônia. Em 2011, o lema é “A Fraternidade e a Vida no Planeta”. Neste ano também, a CNBB compôs o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, na luta contra o desmantelamento do Código Florestal. O que os vem movendo nessa direção?
A CBJP tem em sua tradição o trabalho em defesa dos direitos humanos, dos direitos sociais que, em última instância, se traduz numa defesa da vida. Isso faz parte da própria concepção cristã de justiça, de vida para todos, em qualidade, em abundância. O projeto que nós defendemos enquanto cristãos - e a CBJP como um organismo da CNBB nesse processo – é de promoção da vida plena para todos, especialmente dos mais vulneráveis.
Entramos na discussão do Código Florestal a partir das nossas próprias discussões, mais especificamente das Campanhas da Fraternidade voltadas para o meio ambiente, mas de um modo geral dessa busca de lutar pela vida, sobretudo onde a vida é mais ameaçada. E nas nossas avaliações, um dos aspectos em que a vida tem sido mais ameaçada tem sido na destruição da biodiversidade, com o desenvolvimento predatório que a nossa civilização ocidental desenvolveu, que dentro do atual modelo econômico vem crescendo. Isso é uma forte ameaça não só às vidas humanas atuais e das futuras gerações, mas também às outras formas de vida existentes no planeta.
Nós não podemos defender apenas os direitos da espécie humana e dizer que o direito a vida é um direito só dos humanos e não das outras formas de vida. Nós acreditamos que preservar as outras formas de vida é preservar a nossa própria vida. Esse é o mote maior no qual nos inserimos e o desmantelamento do Código Florestal é uma causa específica.
Há um crescimento do envolvimento da comunidade cristã com essas questões?
O processo de massificação de qualquer temática é difícil. A maior parte das pessoas se dá conta da realidade que se apresenta de forma mais imediata e mais próxima. A maioria das pessoas está preocupada com a sua sobrevivência imediata, numa sociedade cada vez mais competitiva, com o capitalismo cada vez mais aprofundado, com o processo de exploração cada vez maior e que muitas vezes, inclusive, dispensa a exploração de muitas pessoas, jogando-as no desemprego.
Agora, nós percebemos que, a partir dessa discussão da defesa da vida, das proposições das Campanhas da Fraternidade, a defesa geral do desenvolvimento sustentável e do respeito ecológico tem crescido.
Com relação ao Código Florestal, qual é a sua avaliação sobre as mudanças que ele vem sofrendo no Congresso Nacional?
O Código precisaria diferenciar algumas coisas, como a agricultura familiar, precisaria evitar a possibilidade de criminalizar pessoas de pequenas posses que no passado ocuparam, na forma como se sabia, como se tolerava. Mas a maior parte das questões que são preocupantes no Código vigente poderiam ser resolvidas por legislações infraconstitucionais, por portarias, por decisões do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], enfim, nós não precisaríamos de um novo Código Florestal.
Para nós, o próprio fato de entrar em pauta a reforma do Código já é uma derrota colocada, não pelo agronegócio, mas pelo agrobanditismo. Porque, na verdade, para a própria existência do agronegócio é fundamental a existência de água e água em abundância, é fundamental a existência de terra e terra de qualidade. São estes de visão imediatista que estão defendendo de forma tão ferrenha aquilo que está produzindo esse “Frankenstein” do Código Florestal. Portanto, consideramos que há um processo de involução, de retrocesso legislativo no que se refere à proteção ao meio ambiente no Brasil.
E como o senhor avalia a atuação do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável?
Eu sou apaixonado pela existência do Comitê. Acho que ele conseguiu reunir gente muito diferente, que tem bandeiras de luta ou representa setores da sociedade bem diferentes, mas que conseguiram de forma paulatina construir uma compreensão do que era fundamental nesse processo, colocando de forma muito tranqüila, muito honesta, quais eram os limites de cada organização. Tudo em busca de um entendimento maior de que sem unidade, fracionando as nossas forças, nós não teríamos condições de lutar contra o que está acontecendo. Matrizes de pensamento e prática social tão diferentes conseguiram produzir uma unidade para uma ação política fundamental nesse momento.
Se não fosse o Comitê Brasil o resultado teria sido muito mais catastrófico, provavelmente a essa altura do campeonato, teríamos um texto bem pior aprovado pelo Congresso. Acho que esse é o grande ganho. Quando a gente diz pensar um projeto de sociedade, cada um de nós tem posições muito diferenciadas, mas se tem algo que a gente consegue fazer junto, acho que é um ganho que não pode se perder. Inclusive, acho que o Comitê Brasil poderia passar a discutir outras pautas tão relevantes quanto o Código Florestal que talvez permitissem uma continuidade dessa união.
De que maneira o Comitê influiu?
Em primeiro lugar, o Comitê consegui ter capilaridade na sociedade, sensibilizar uma parcela significativa dela. A coleta de assinatura que foi conseguida [1,5 milhão de assinantes] é reveladora de que esse tema tem eco na sociedade. A gente pode dizer que em volta das pessoas que participaram dessas assinaturas tem um universo bem maior que provavelmente tem simpatia e, se continuássemos, poderiam participar.
Em segundo, o processo de incidência política no Congresso e no Executivo. Ao repetirmos constantemente quais são os compromissos da presidente Dilma, no que se refere a não aprovar nada que permita a manutenção e ampliação do desmatamento, nós estamos incidindo e dizendo ao governo “a sociedade está de olho naquilo que vai ser o posicionamento da presidência e naquilo que tem sido o posicionamento no governo”. E o processo de incidência dentro do Congresso foi fundamental. No senado, o relatório apresentado pelo senador Jorge Viana expressava alguns avanços, apesar de não resolver as principais contradições oriundas da Câmara dos Deputados.
Quais são os principais problemas que permanecem no texto enviado de volta à Câmara?
Vou citar os que eu acho mais emblemáticos e que precisaríamos reverter ou conseguir um veto da presidente. Não há separação clara do que deve ser o tratamento dado a agricultura familiar e o que deve ser dado aos médios e grandes produtores. Também não está bem feita a diferenciação no que se refere às áreas desmatadas e no que se refere às áreas de proteção ambiental. Nesse sentido, essa anistia promovida aos médios e grandes proprietários de terra é nefasta. Outro ponto é a proteção dos pequenos rios onde há faixas de recomposição, que caiu pela metade, dos 30 para 15 metros.
Terminado esse ano, com a votação marcada só para o ano que vem, o que esperar do Comitê no Próximo período?
Precisamos ampliar a nossa articulação com as organizações internacionais, com parlamentos e governos de outros países que estejam mais sensibilizados para a questão ambiental. A destruição do meio ambiente em qualquer lugar do planeta deixa de ser assunto somente de um país e passa a ser um problema que afeta o clima no mundo inteiro.
Há uma série de lutas sociais que já foram feitas no Brasil que só conseguiram ganhar força quando conseguimos parcerias em outros países que tinham condição de pressionar o Brasil. Inclusive em função da Rio+20. O Brasil precisa se constranger por aprovar um Código Florestal como está se dando, em função de estar se prontificando a sediar uma conferência que deveria discutir justamente um outro patamar civilizatório no que se refere ao respeito ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável.
Temos que conseguir criar uma pressão de fora para dentro e continuar esse trabalho com a sociedade brasileira. Além de continuar o trabalho de incidência política, as conversas de deputado a deputado, de partido a partido, pressionar para que as lideranças, as direções dos partidos venham a público, mostrar a cara e fazer esse debate.
Temos que desmontar alguns discursos. Um é o de que este texto é de consenso, porque ele só é de consenso dentro de algumas lideranças dentro do Congresso. A população, seja em função das assinaturas, seja em função das pesquisas de opinião, tem expressado sua completa discordância. Quando você junta num comitê desde ex-ministros do meio ambiente de governos tão diferentes, reúne movimentos de tantas diferenças, como Via Campesina, WWF, ISA, Greenpeace, CUT, CNBB, OAB e organizações sociais que não são ligadas, em princípio, ao meio ambiente significa que aí sim você tem uma representação da sociedade bastante forte.
O que se vê no Congresso é um pequeno grupo com forte poder econômico e de pressão política para conseguir fazer alterações no Código Florestal. A segunda falácia é a que afirma que esse texto aprovado é o “caminho do meio”, por não atender só a ambientalistas ou só a produtores rurais. Isso é uma falácia porque qualquer mudança no Código que, de alguma forma, permita manter e ampliar o desmatamento, que reduza as áreas de proteção permanente e dê anistia a quem desmatou, se distancia de uma da posição virtuosa, ou seja, que defenda, de fato, um desenvolvimento sustentável e seja comprometida com as futuras gerações.
FONTE: http://www.mst.org.br/O-Brasil-precisa-se-constranger-por-aprovar-um-Codigo-Florestal-como-esta-se-dando
Do Comitê Brasil em Defesa das Florestas
Pedro Gonijo é professor de filosofia da Universidade de Brasília e secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz - CBJP, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (entidades integrantes do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável).
Em 2007, a Campanha da Fraternidade trouxe o tema da Amazônia. Em 2011, o lema é “A Fraternidade e a Vida no Planeta”. Neste ano também, a CNBB compôs o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, na luta contra o desmantelamento do Código Florestal. O que os vem movendo nessa direção?
A CBJP tem em sua tradição o trabalho em defesa dos direitos humanos, dos direitos sociais que, em última instância, se traduz numa defesa da vida. Isso faz parte da própria concepção cristã de justiça, de vida para todos, em qualidade, em abundância. O projeto que nós defendemos enquanto cristãos - e a CBJP como um organismo da CNBB nesse processo – é de promoção da vida plena para todos, especialmente dos mais vulneráveis.
Entramos na discussão do Código Florestal a partir das nossas próprias discussões, mais especificamente das Campanhas da Fraternidade voltadas para o meio ambiente, mas de um modo geral dessa busca de lutar pela vida, sobretudo onde a vida é mais ameaçada. E nas nossas avaliações, um dos aspectos em que a vida tem sido mais ameaçada tem sido na destruição da biodiversidade, com o desenvolvimento predatório que a nossa civilização ocidental desenvolveu, que dentro do atual modelo econômico vem crescendo. Isso é uma forte ameaça não só às vidas humanas atuais e das futuras gerações, mas também às outras formas de vida existentes no planeta.
Nós não podemos defender apenas os direitos da espécie humana e dizer que o direito a vida é um direito só dos humanos e não das outras formas de vida. Nós acreditamos que preservar as outras formas de vida é preservar a nossa própria vida. Esse é o mote maior no qual nos inserimos e o desmantelamento do Código Florestal é uma causa específica.
Há um crescimento do envolvimento da comunidade cristã com essas questões?
O processo de massificação de qualquer temática é difícil. A maior parte das pessoas se dá conta da realidade que se apresenta de forma mais imediata e mais próxima. A maioria das pessoas está preocupada com a sua sobrevivência imediata, numa sociedade cada vez mais competitiva, com o capitalismo cada vez mais aprofundado, com o processo de exploração cada vez maior e que muitas vezes, inclusive, dispensa a exploração de muitas pessoas, jogando-as no desemprego.
Agora, nós percebemos que, a partir dessa discussão da defesa da vida, das proposições das Campanhas da Fraternidade, a defesa geral do desenvolvimento sustentável e do respeito ecológico tem crescido.
Com relação ao Código Florestal, qual é a sua avaliação sobre as mudanças que ele vem sofrendo no Congresso Nacional?
O Código precisaria diferenciar algumas coisas, como a agricultura familiar, precisaria evitar a possibilidade de criminalizar pessoas de pequenas posses que no passado ocuparam, na forma como se sabia, como se tolerava. Mas a maior parte das questões que são preocupantes no Código vigente poderiam ser resolvidas por legislações infraconstitucionais, por portarias, por decisões do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], enfim, nós não precisaríamos de um novo Código Florestal.
Para nós, o próprio fato de entrar em pauta a reforma do Código já é uma derrota colocada, não pelo agronegócio, mas pelo agrobanditismo. Porque, na verdade, para a própria existência do agronegócio é fundamental a existência de água e água em abundância, é fundamental a existência de terra e terra de qualidade. São estes de visão imediatista que estão defendendo de forma tão ferrenha aquilo que está produzindo esse “Frankenstein” do Código Florestal. Portanto, consideramos que há um processo de involução, de retrocesso legislativo no que se refere à proteção ao meio ambiente no Brasil.
E como o senhor avalia a atuação do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável?
Eu sou apaixonado pela existência do Comitê. Acho que ele conseguiu reunir gente muito diferente, que tem bandeiras de luta ou representa setores da sociedade bem diferentes, mas que conseguiram de forma paulatina construir uma compreensão do que era fundamental nesse processo, colocando de forma muito tranqüila, muito honesta, quais eram os limites de cada organização. Tudo em busca de um entendimento maior de que sem unidade, fracionando as nossas forças, nós não teríamos condições de lutar contra o que está acontecendo. Matrizes de pensamento e prática social tão diferentes conseguiram produzir uma unidade para uma ação política fundamental nesse momento.
Se não fosse o Comitê Brasil o resultado teria sido muito mais catastrófico, provavelmente a essa altura do campeonato, teríamos um texto bem pior aprovado pelo Congresso. Acho que esse é o grande ganho. Quando a gente diz pensar um projeto de sociedade, cada um de nós tem posições muito diferenciadas, mas se tem algo que a gente consegue fazer junto, acho que é um ganho que não pode se perder. Inclusive, acho que o Comitê Brasil poderia passar a discutir outras pautas tão relevantes quanto o Código Florestal que talvez permitissem uma continuidade dessa união.
De que maneira o Comitê influiu?
Em primeiro lugar, o Comitê consegui ter capilaridade na sociedade, sensibilizar uma parcela significativa dela. A coleta de assinatura que foi conseguida [1,5 milhão de assinantes] é reveladora de que esse tema tem eco na sociedade. A gente pode dizer que em volta das pessoas que participaram dessas assinaturas tem um universo bem maior que provavelmente tem simpatia e, se continuássemos, poderiam participar.
Em segundo, o processo de incidência política no Congresso e no Executivo. Ao repetirmos constantemente quais são os compromissos da presidente Dilma, no que se refere a não aprovar nada que permita a manutenção e ampliação do desmatamento, nós estamos incidindo e dizendo ao governo “a sociedade está de olho naquilo que vai ser o posicionamento da presidência e naquilo que tem sido o posicionamento no governo”. E o processo de incidência dentro do Congresso foi fundamental. No senado, o relatório apresentado pelo senador Jorge Viana expressava alguns avanços, apesar de não resolver as principais contradições oriundas da Câmara dos Deputados.
Quais são os principais problemas que permanecem no texto enviado de volta à Câmara?
Vou citar os que eu acho mais emblemáticos e que precisaríamos reverter ou conseguir um veto da presidente. Não há separação clara do que deve ser o tratamento dado a agricultura familiar e o que deve ser dado aos médios e grandes produtores. Também não está bem feita a diferenciação no que se refere às áreas desmatadas e no que se refere às áreas de proteção ambiental. Nesse sentido, essa anistia promovida aos médios e grandes proprietários de terra é nefasta. Outro ponto é a proteção dos pequenos rios onde há faixas de recomposição, que caiu pela metade, dos 30 para 15 metros.
Terminado esse ano, com a votação marcada só para o ano que vem, o que esperar do Comitê no Próximo período?
Precisamos ampliar a nossa articulação com as organizações internacionais, com parlamentos e governos de outros países que estejam mais sensibilizados para a questão ambiental. A destruição do meio ambiente em qualquer lugar do planeta deixa de ser assunto somente de um país e passa a ser um problema que afeta o clima no mundo inteiro.
Há uma série de lutas sociais que já foram feitas no Brasil que só conseguiram ganhar força quando conseguimos parcerias em outros países que tinham condição de pressionar o Brasil. Inclusive em função da Rio+20. O Brasil precisa se constranger por aprovar um Código Florestal como está se dando, em função de estar se prontificando a sediar uma conferência que deveria discutir justamente um outro patamar civilizatório no que se refere ao respeito ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável.
Temos que conseguir criar uma pressão de fora para dentro e continuar esse trabalho com a sociedade brasileira. Além de continuar o trabalho de incidência política, as conversas de deputado a deputado, de partido a partido, pressionar para que as lideranças, as direções dos partidos venham a público, mostrar a cara e fazer esse debate.
Temos que desmontar alguns discursos. Um é o de que este texto é de consenso, porque ele só é de consenso dentro de algumas lideranças dentro do Congresso. A população, seja em função das assinaturas, seja em função das pesquisas de opinião, tem expressado sua completa discordância. Quando você junta num comitê desde ex-ministros do meio ambiente de governos tão diferentes, reúne movimentos de tantas diferenças, como Via Campesina, WWF, ISA, Greenpeace, CUT, CNBB, OAB e organizações sociais que não são ligadas, em princípio, ao meio ambiente significa que aí sim você tem uma representação da sociedade bastante forte.
O que se vê no Congresso é um pequeno grupo com forte poder econômico e de pressão política para conseguir fazer alterações no Código Florestal. A segunda falácia é a que afirma que esse texto aprovado é o “caminho do meio”, por não atender só a ambientalistas ou só a produtores rurais. Isso é uma falácia porque qualquer mudança no Código que, de alguma forma, permita manter e ampliar o desmatamento, que reduza as áreas de proteção permanente e dê anistia a quem desmatou, se distancia de uma da posição virtuosa, ou seja, que defenda, de fato, um desenvolvimento sustentável e seja comprometida com as futuras gerações.
FONTE: http://www.mst.org.br/O-Brasil-precisa-se-constranger-por-aprovar-um-Codigo-Florestal-como-esta-se-dando
GLOBO S/A PRESTA ASSESSORIA POLÍTICO MIDIÁTICA DESDE 1989
Após 22 anos, Boni admite que Globo armou contra Lula para eleger Collor
Debate decisivo da eleição de 1989, que na prática elegeu Fernando Collor, foi conspirado e arrumado pela emissora. "Colocamos as pastadas todas ali com supostas denúncias contra Lula, mas estavam vazias", revela o ex-chefão global.
Todos já sabiam sobre a manipulação de imagens por parte do jornalismo da Rede Globo, no Jornal Nacional, um dia depois do debate do dia 14 de dezembro de 1989 entre os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello.
Agora, felizmente, 22 anos após o ocorrido, o homem que formatou o “Padrão Globo de Qualidade” simula uma "revelação bombástica" para lançar sua nova obra, "O Livro do Boni": a Globo manipulou o debate.
Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, transmitida pela Globo News, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, dá detalhes da noite do debate, cuja repercussão foi considerada fundamental para a vitória no segundo turno de Collor de Mello, uma vez que antes do acontecimento os dois políticos estavam em situação de empate técnico.
Boni admitiu que a emissora assumiu o lado de Fernando Collor de Mello. Segundo ele, após ser procurado pela assessoria do ex-presidente, o superintendente executivo da Globo, Miguel Pires Gonçalves, pediu que ele palpitasse no evento. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, contou. “Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma `glicerinazinha` e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, disse Boni. “Todo aquele debate foi [produzido] – não o conteúdo, o conteúdo era do Collor mesmo -, mas a parte formal nós é que fizemos”.
Ao contar algo que todos já sabiam, fazendo questão de acrescentar detalhes picantes, para ter mais repercussão - trechos de sua entrevista já foi replicada por diversos veículos e portais de comunicação - o ex-chefão da Globo conseguiu protagonizar um dos maiores eventos literários do ano.
Ao contar algo que todos já sabiam, fazendo questão de acrescentar detalhes picantes, para ter mais repercussão - trechos de sua entrevista já foi replicada por diversos veículos e portais de comunicação - o ex-chefão da Globo conseguiu protagonizar um tiro no pé, um dos maiores eventos escândalos literários em que confessa preferência, interesses e a prestação de um serviço político midiático por um veículo privado.
VIVA!!
FINALMENTE TEMOS A CONFISSÃO DE ALGUÉM DE DENTRO COM A IMPERIOSA E NECESSÁRIA VERDADE MOSTRANDO QUE CERTOS VEÍCULOS PRIVADOS DE COMUNICAÇÃO SÃO UM PERIGO PARA A DEMOCRACIA!
FONTE: http://soldadonofront.blogspot.com/2011/11/emissora-presta-assessoria-politico.html
Debate decisivo da eleição de 1989, que na prática elegeu Fernando Collor, foi conspirado e arrumado pela emissora. "Colocamos as pastadas todas ali com supostas denúncias contra Lula, mas estavam vazias", revela o ex-chefão global.
Todos já sabiam sobre a manipulação de imagens por parte do jornalismo da Rede Globo, no Jornal Nacional, um dia depois do debate do dia 14 de dezembro de 1989 entre os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello.
Agora, felizmente, 22 anos após o ocorrido, o homem que formatou o “Padrão Globo de Qualidade” simula uma "revelação bombástica" para lançar sua nova obra, "O Livro do Boni": a Globo manipulou o debate.
Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, transmitida pela Globo News, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, dá detalhes da noite do debate, cuja repercussão foi considerada fundamental para a vitória no segundo turno de Collor de Mello, uma vez que antes do acontecimento os dois políticos estavam em situação de empate técnico.
Boni admitiu que a emissora assumiu o lado de Fernando Collor de Mello. Segundo ele, após ser procurado pela assessoria do ex-presidente, o superintendente executivo da Globo, Miguel Pires Gonçalves, pediu que ele palpitasse no evento. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, contou. “Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma `glicerinazinha` e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, disse Boni. “Todo aquele debate foi [produzido] – não o conteúdo, o conteúdo era do Collor mesmo -, mas a parte formal nós é que fizemos”.
Ao contar algo que todos já sabiam, fazendo questão de acrescentar detalhes picantes, para ter mais repercussão - trechos de sua entrevista já foi replicada por diversos veículos e portais de comunicação - o ex-chefão da Globo conseguiu protagonizar um dos maiores eventos literários do ano.
Ao contar algo que todos já sabiam, fazendo questão de acrescentar detalhes picantes, para ter mais repercussão - trechos de sua entrevista já foi replicada por diversos veículos e portais de comunicação - o ex-chefão da Globo conseguiu protagonizar um tiro no pé, um dos maiores eventos escândalos literários em que confessa preferência, interesses e a prestação de um serviço político midiático por um veículo privado.
VIVA!!
FINALMENTE TEMOS A CONFISSÃO DE ALGUÉM DE DENTRO COM A IMPERIOSA E NECESSÁRIA VERDADE MOSTRANDO QUE CERTOS VEÍCULOS PRIVADOS DE COMUNICAÇÃO SÃO UM PERIGO PARA A DEMOCRACIA!
FONTE: http://soldadonofront.blogspot.com/2011/11/emissora-presta-assessoria-politico.html
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
CUT 2012: a Central será fundamental na luta pelo desenvolvimento sustentável
Para Carmen Foro, é preciso ampliar a proteção social e expandir a criação de empregos verdes e decentes
Escrito por: CUT Nacional
Entre os dias 15 e 22 de junho de 2012, o Brasil sediará a Rio + 20. A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável tem papel mobilizador e buscará comprometer as nações com o desenvolvimento sustentável atrelado à justiça social. O que se espera, para além de uma declaração política, é a consciência de que somente a cooperação entre os povos e o compromisso assumido por cada um e por todos os governantes, sobretudo do Norte, apontará caminhos para redução das desigualdades e dos impactos sociais e ambientais que hoje assolam o planeta.
Os temas centrais da Conferência são Economia Verde e Governança. Secretária de Meio Ambiente da CUT, Carmen Foro, lembra que a CUT está diretamente envolvida no processo de discussão e vem atuando em diversos espaços para fortalecer a posição do movimento sindical. “Entre nossas demandas para a Rio+20 estão a ampliação da proteção social, para levar seguridade a 5 milhões de pessoas no mundo que não tem acesso a proteção social adequada; uma Taxa sobre a especulação financeira, um imposto de 0,05% geraria cerca de 600 milhões de dólares por ano, quase três vezes a ajuda oficial ao desenvolvimento de 2008 (ODA) e objetivos nacionais de criação de empregos verdes e decentes, fazendo com que os investimentos públicos em setores potencialmente verdes possam criar uma ponta entre os objetivos sociais, emprego e ambientais”, destaca.
A CUT integra a Comissão Nacional da Rio + 20 e o Comitê Facilitador Brasileiro da Sociedade Civil e internamente criou um grupo de trabalho que reúne-se para dialogar as demandas das secretarias que se articulam com a Conferência, definindo conjuntamente a estratégia CUTista.
Também como forma de unificar a luta do movimento sindical, a CUT realizou em conjunto com a CSA, a FES e o Idecri, nos dias 10 e 11 de novembro, o “Seminário Internacional Rio + 20: Trabalho e Desenvolvimento Sustentável - A perspectiva do Movimento Sindical das Américas”. O Encontro buscou definir a estratégia da classe trabalhadora para o mundo do trabalho, fortalecendo, assim as posições do movimento sindical das Américas para a Rio + 20.
Por um Código Florestal sem retrocessos
Neste ano uma das principais batalhas do movimento sindical, social e ambiental foi travada no parlamento: impedir retrocessos na Lei 4771/1965, o Código Florestal.
A Central definiu sua posição e se articulou junto a outros movimentos da sociedade civil na defesa de mudanças no Código Florestal para buscar atualizar a Lei, que não continha instrumentos adequados para a agricultura familiar, sem, porém, pactuar com retrocessos.
Em abril, a CUT organizou o seminário “As mudanças no Código Florestal e os Desafios para o Desenvolvimento Sustentável”, no Congresso Nacional, e desde então vem se articulando para impedir retrocessos.
Após grandes embates na Câmara e mesmo com a resistência dos movimentos, o novo Código Florestal foi votado e aprovado em maio de 2011 e em dezembro último no Senado. Sem levar em conta esses atores. “Mesmo alertados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), pelo Ministério Público, por acadêmicos, ambientalistas e pesquisadores sobre os riscos que as mudanças podem causar para as populações, o Código Florestal foi votado no Senado sem ter resolvidos seus principais problemas. Ele legaliza as atividades agropecuárias instaladas em áreas ambientalmente importantes, sem um forte mecanismo que impeça novos desmatamentos, e anistia quem desmatou”, critica Carmen.
O Código Florestal irá à votação na Câmara em março do ano que vem, a três meses, portanto, da Rio + 20. A batalha dos movimentos no primeiro trimestre deve ser para garantir o veto da Presidenta nos pontos críticos não solucionados pelo Senado.
O clima das COP´s
Outro encontro importante, a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-17), prevista para ocorrer de 28 de novembro a 09 de dezembro teve de se estender até o dia 11 de dezembro para conquistar uma negociação com algum avanço. O movimento sindical foi a Durban pedindo por um pacote equilibrado em três grandes blocos: um segundo compromisso do protocolo de Kyoto, um acordo legalmente vinculante, e pelo Fundo Verde climático democrático, com fundos para mitigação e adaptação e com mecanismos de governança. Um acordo vinculante para ser adotado em 2015 com metas diferenciadas para países desenvolvidos e em desenvolvimento parece ainda mais impraticável.
“Ainda não temos o que o mundo vem esperando. O que os países fecharam em Durban foi um acordo pouco ambicioso em sua totalidade. Mais do que nunca, trabalhadores e sindicatos ao redor do mundo devem fortalecer suas ações no âmbito nacional. Precisaremos tornar nossas vozes ainda mais altas”, ressaltou Carmen.
Desafios para 2012
Para a secretária do Meio Ambiente da Central, a Rio + 20 representa uma oportunidade para o mundo e para o Brasil entrar no caminho para um novo modelo de desenvolvimento baseado no crescimento sustentável e construído com justiça social. “Uma forte mobilização dos trabalhadores para a Rio + 20 demonstrará que estamos prontos para o desafio. A mobilização está sendo articulada nos diversos espaços internos da CUT e um conjunto de atividades estão sendo preparadas, dentre elas a realização do segundo Diálogo com negociadores na cidade de São Paulo em parceria com a CSI-CSA-FundaçãoSustainlabour.”
A CUT iniciará uma parceria num projeto promovido pela Sustainlabour de formação para os trabalhadores e trabalhadoras no tema da biodiversidade, com a participação dos Secretários e Secretárias de Meio Ambiente para atualizar o projeto cutista e compartilhar as ações para a Rio+20. Também integrará o Comitê de Produção e Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, atuando no Comitê com as demandas sindicais nesta discussão que é estratégica para o estabelecimento de uma nova forma de produção e consumo. Outro espaço que conta com participação da Central é o Comitê Assessor da Educação Ambiental, que fará no próximo ano a Jornada pela Educação Ambiental articulando-se para a Rio + 20.
A Central integra ainda o Comitê do Fundo do Clima e participa dos planos setoriais nacionais que deverão ampliar-se em 2012. “Outros importantes temas, como a Campanha contra o uso dos agrotóxicos e a soberania alimentar devem ocupar um lugar de maior centralidade nas nossas demandas deste ano.
A definição da Central Única dos Trabalhadores para 2012 de que aumentaremos as mobilizações visando fortalecer a pressão para alcançarmos o desenvolvimento sustentável com justiça social, distribuição de renda e valorização das relações de trabalho vem se somar as outras inúmeras ações da estratégia da nossa Central”, comenta.
Para Carmen Foro, a disputa pelo novo modelo de desenvolvimento para o Brasil neste momento de crise é estratégica e fundamental. E o tema ambiental ganha centralidade com os debates gerais do conjunto da pauta de negociação coletiva do conjunto da classe trabalhadora.
FONTE: http://www.cut.org.br/destaques/21627/cut-2012-a-central-sera-fundamental-na-luta-pelo-desenvolvimento-sustentavel
Escrito por: CUT Nacional
Entre os dias 15 e 22 de junho de 2012, o Brasil sediará a Rio + 20. A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável tem papel mobilizador e buscará comprometer as nações com o desenvolvimento sustentável atrelado à justiça social. O que se espera, para além de uma declaração política, é a consciência de que somente a cooperação entre os povos e o compromisso assumido por cada um e por todos os governantes, sobretudo do Norte, apontará caminhos para redução das desigualdades e dos impactos sociais e ambientais que hoje assolam o planeta.
Os temas centrais da Conferência são Economia Verde e Governança. Secretária de Meio Ambiente da CUT, Carmen Foro, lembra que a CUT está diretamente envolvida no processo de discussão e vem atuando em diversos espaços para fortalecer a posição do movimento sindical. “Entre nossas demandas para a Rio+20 estão a ampliação da proteção social, para levar seguridade a 5 milhões de pessoas no mundo que não tem acesso a proteção social adequada; uma Taxa sobre a especulação financeira, um imposto de 0,05% geraria cerca de 600 milhões de dólares por ano, quase três vezes a ajuda oficial ao desenvolvimento de 2008 (ODA) e objetivos nacionais de criação de empregos verdes e decentes, fazendo com que os investimentos públicos em setores potencialmente verdes possam criar uma ponta entre os objetivos sociais, emprego e ambientais”, destaca.
A CUT integra a Comissão Nacional da Rio + 20 e o Comitê Facilitador Brasileiro da Sociedade Civil e internamente criou um grupo de trabalho que reúne-se para dialogar as demandas das secretarias que se articulam com a Conferência, definindo conjuntamente a estratégia CUTista.
Também como forma de unificar a luta do movimento sindical, a CUT realizou em conjunto com a CSA, a FES e o Idecri, nos dias 10 e 11 de novembro, o “Seminário Internacional Rio + 20: Trabalho e Desenvolvimento Sustentável - A perspectiva do Movimento Sindical das Américas”. O Encontro buscou definir a estratégia da classe trabalhadora para o mundo do trabalho, fortalecendo, assim as posições do movimento sindical das Américas para a Rio + 20.
Por um Código Florestal sem retrocessos
Neste ano uma das principais batalhas do movimento sindical, social e ambiental foi travada no parlamento: impedir retrocessos na Lei 4771/1965, o Código Florestal.
A Central definiu sua posição e se articulou junto a outros movimentos da sociedade civil na defesa de mudanças no Código Florestal para buscar atualizar a Lei, que não continha instrumentos adequados para a agricultura familiar, sem, porém, pactuar com retrocessos.
Em abril, a CUT organizou o seminário “As mudanças no Código Florestal e os Desafios para o Desenvolvimento Sustentável”, no Congresso Nacional, e desde então vem se articulando para impedir retrocessos.
Após grandes embates na Câmara e mesmo com a resistência dos movimentos, o novo Código Florestal foi votado e aprovado em maio de 2011 e em dezembro último no Senado. Sem levar em conta esses atores. “Mesmo alertados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), pelo Ministério Público, por acadêmicos, ambientalistas e pesquisadores sobre os riscos que as mudanças podem causar para as populações, o Código Florestal foi votado no Senado sem ter resolvidos seus principais problemas. Ele legaliza as atividades agropecuárias instaladas em áreas ambientalmente importantes, sem um forte mecanismo que impeça novos desmatamentos, e anistia quem desmatou”, critica Carmen.
O Código Florestal irá à votação na Câmara em março do ano que vem, a três meses, portanto, da Rio + 20. A batalha dos movimentos no primeiro trimestre deve ser para garantir o veto da Presidenta nos pontos críticos não solucionados pelo Senado.
O clima das COP´s
Outro encontro importante, a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-17), prevista para ocorrer de 28 de novembro a 09 de dezembro teve de se estender até o dia 11 de dezembro para conquistar uma negociação com algum avanço. O movimento sindical foi a Durban pedindo por um pacote equilibrado em três grandes blocos: um segundo compromisso do protocolo de Kyoto, um acordo legalmente vinculante, e pelo Fundo Verde climático democrático, com fundos para mitigação e adaptação e com mecanismos de governança. Um acordo vinculante para ser adotado em 2015 com metas diferenciadas para países desenvolvidos e em desenvolvimento parece ainda mais impraticável.
“Ainda não temos o que o mundo vem esperando. O que os países fecharam em Durban foi um acordo pouco ambicioso em sua totalidade. Mais do que nunca, trabalhadores e sindicatos ao redor do mundo devem fortalecer suas ações no âmbito nacional. Precisaremos tornar nossas vozes ainda mais altas”, ressaltou Carmen.
Desafios para 2012
Para a secretária do Meio Ambiente da Central, a Rio + 20 representa uma oportunidade para o mundo e para o Brasil entrar no caminho para um novo modelo de desenvolvimento baseado no crescimento sustentável e construído com justiça social. “Uma forte mobilização dos trabalhadores para a Rio + 20 demonstrará que estamos prontos para o desafio. A mobilização está sendo articulada nos diversos espaços internos da CUT e um conjunto de atividades estão sendo preparadas, dentre elas a realização do segundo Diálogo com negociadores na cidade de São Paulo em parceria com a CSI-CSA-FundaçãoSustainlabour.”
A CUT iniciará uma parceria num projeto promovido pela Sustainlabour de formação para os trabalhadores e trabalhadoras no tema da biodiversidade, com a participação dos Secretários e Secretárias de Meio Ambiente para atualizar o projeto cutista e compartilhar as ações para a Rio+20. Também integrará o Comitê de Produção e Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, atuando no Comitê com as demandas sindicais nesta discussão que é estratégica para o estabelecimento de uma nova forma de produção e consumo. Outro espaço que conta com participação da Central é o Comitê Assessor da Educação Ambiental, que fará no próximo ano a Jornada pela Educação Ambiental articulando-se para a Rio + 20.
A Central integra ainda o Comitê do Fundo do Clima e participa dos planos setoriais nacionais que deverão ampliar-se em 2012. “Outros importantes temas, como a Campanha contra o uso dos agrotóxicos e a soberania alimentar devem ocupar um lugar de maior centralidade nas nossas demandas deste ano.
A definição da Central Única dos Trabalhadores para 2012 de que aumentaremos as mobilizações visando fortalecer a pressão para alcançarmos o desenvolvimento sustentável com justiça social, distribuição de renda e valorização das relações de trabalho vem se somar as outras inúmeras ações da estratégia da nossa Central”, comenta.
Para Carmen Foro, a disputa pelo novo modelo de desenvolvimento para o Brasil neste momento de crise é estratégica e fundamental. E o tema ambiental ganha centralidade com os debates gerais do conjunto da pauta de negociação coletiva do conjunto da classe trabalhadora.
FONTE: http://www.cut.org.br/destaques/21627/cut-2012-a-central-sera-fundamental-na-luta-pelo-desenvolvimento-sustentavel
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